Wolmer
Ricardo Tavares - Revista Gestão Universitária - 17/09/2012 - Belo
Horizonte, MG
A sociedade brasileira anda carente de pessoas pensantes e
cognoscentes. Pessoas com liderança para direcionar uma multidão de brasileiros
alienados para uma seara de conhecimento, criticidade e também prosperidade.
A ciência política tem a função de esclarecer o povo de que o
poder existe para favorecê-lo, fazendo prevalecer a vontade deste, uma vez que o
poder é emanado do próprio povo.
A política é uma palavra oriunda da palavra polis (cidades,
estados) e está relacionada à forma de organização, direção e administração das
nações ou estados[2]. Ela busca uma maneira de conquistar o poder e de se manter
nele. O poder do homem sobre outro homem, o poder de influenciar os outros.
Uma dificuldade encontrada pelos educadores em se trabalhar a
política nas escolas é o despreparo dos gestores que se encontram contaminados
pela politicagem que não é nada mais que uma política mesquinha e de interesses
pessoais, reforçada por políticos desonestos e inescrupulosos. Esses gestores em
sua maioria são frutos desse meio, uma vez que os cargos oferecidos, na sua
maioria, não são baseados na meritocracia, salvo algumas exceções acertos na
escolha, o que não se torna regra.
Essa escolha de gestores favorece o sistema falho em que nos
encontramos, e este por sua vez inibe e até mesmo coíbe qualquer pronunciamento
político nas escolas, mesmo sem ter uma ideologia partidária, pois a intenção
para os educadores é apenas esclarecer seus educandos da política e sua
relevância para a vida da sociedade e não fomentar o partidarismo.
A política não é apenas o ato de bem governar os povos, e tampouco
a habilidade no trato das relações humanas, com vista na obtenção dos resultados
desejados. Ela é uma atividade de cidadãos que se ocupam com assuntos públicos
favorecendo sempre o coletivo e nunca o individual.
A educação necessita de uma neodiretividade tendo com um dos viés
a política, que mostra o poder que se impera invalidando o saber que eleva o
educando ao grau de criticidade. O saber correto, que fomenta a dúvida e faz com
que se busque as respostas adequadas, e que não se deixe ser manipulado pela
classe opressora e dominante, que gera o poder e subjuga o povo reforçando cada
vez mais o domínio da elite, deste povo sofrido e desamparado, sem ter
consciência de que se encontram nessa triste posição.
Quando conseguirmos trabalhar e desenvolver em nossos educandos
não só conceito político, mas uma conscientização, estaremos fazendo com que
estes deixem de ser analfabetos políticos que, segundo afirma Bertolt Brecht,
dessa ignorância, nasce a “prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os
bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais”.
Portanto cabe a nós educadores pensarmos como trabalhar essa
conscientização em nossos educandos, sem nos deixarmos ser afetados pela coação
de gestores com desculpas de que a escola não é um espaço para prapaganda
eleitoral, o que não é a intenção da educação, pois ela deve ser neutra
politicamente, mas sem deixar de ser omissa com a sua função de educar para a
cidadania e o protagonismo, e esse protagonismo para existir, faz-se mister
interagir com os acontecimentos políticos.

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