Tatiane
Cotrim - UOL Educação - 11/10/2012 - São Paulo, SP
A dislexia é um transtorno no cérebro, em que o processamento das
letras e dos sons acontece de maneira diferente. Por isso, o disléxico tem
dificuldade para aprender a ler e escrever pelos métodos tradicionais. E, como o
conhecimento na escola depende muito da leitura, os disléxicos têm uma
dificuldade imensa em acompanhar a classe nas matérias.
Segundo a Associação Internacional de Dislexia, um em cada dez
indivíduos apresenta sinais de dislexia, como ler muito devagar ou ler mal, não
saber reconhecer as letras ou, ainda, trocar as letras nas palavras.
Confira uma lista com alguns sinais de que a criança, o
adolescente ou o adulto possam ter dislexia ou discalculia (que afeta contas e
números):
A criança é muito esperta, mas não consegue se dar bem na
escola
O transtorno de aprendizagem acontece em crianças que geralmente
possuem inteligência normal ou acima da média. Assim pode-se notar um claro
desacordo com o potencial da criança e com o que ela consegue, de fato, fazer.
Ela desenvolve muito rápido em outras áreas, mas fica estagnada na leitura ou
com cálculos, por exemplo.
Aos sete anos, o estudante não reconhece letras ou palavras
Atraso para aprender a ler e escrever é o sinal mais conhecido. Em
geral, a criança lê muito devagar e, como fica preocupada em identificar as
palavras, ela não consegue compreender o que está lendo.
Uma criança com idade entre seis e sete anos que vai à escola e
tem um bom professor, mas não consegue reconhecer letras e palavras isoladas,
pode ter um transtorno específico da aprendizagem da leitura ou dislexia.
O diagnóstico da dislexia só é feito após os oito anos de idade,
mas os indicadores de algo não vai bem podem ser levantados já no ensino
infantil (4 a 6 anos). Ter problemas para se alfabetizar é um indicador
importante de dislexia.
O aluno escreve palavras com sílabas faltando e com letras
invertidas
Ser desorganizado no jeito de escrever (não respeitar as linhas do
caderno); inverter a ordem das letras (escrever pata em vez de data, por
exemplo) ou trocar a ordem dos números (colocar 1969 em vez de 1996) pode
sinalizar que algo está errado.
O disléxico é muito desatento
Como tem dificuldade para compreender o conteúdo, a criança acaba
ficando desatenta e evita ter de estudar. Ela não se sente capaz ou incentivada.
Depois de alguns anos, no ensino médio, não é raro que o disléxico abandone a
escola.
Crianças disléxicas têm dificuldades para fazer movimento de
pinça
Essa é uma habilidade motora simples: unir o polegar com o
indicador. Outra dificuldade pode ser amarrar os sapatos ou, ainda, não
conseguem se alimentar sozinha utilizando talheres. Os disléxicos precisam de
mais tempo e mais esforço que as outras crianças para aprender tarefas
cotidianas que exijam o uso da coordenação motora.
A criança não consegue ser pontual
Como a medida de tempo é um problema para a pessoa com transtorno
com números (discalculia), ela perde prazos com facilidade, deixa os trabalhos
para a última hora e se atrapalha para ler as horas ou com os dias da semana e
os meses do ano.
As crianças podem ter problemas em calcular o tempo que uma tarefa
leva para ser feita. “Muito precocemente, ainda na primeira infância (0 a 3
anos), desenvolvemos a linha numérica, que é uma ordenação rápida e instintiva
dos números. Para os que têm discalculia, essa representação é difícil”,
esclarece Mônica.
Decorar um número de telefone é uma grande dificuldade
As crianças com discalculia têm dificuldades para entender a
relação entre os números e sua representação na linha mental numérica. Tarefas
simples como memorizar um número de telefone ou um endereço ou calcular um troco
tornam-se muito difíceis.
A criança ou o adolescente tem baixa autoestima
Essa é uma conseqüência da dificuldade de aprender. O disléxico,
principalmente se não tem o transtorno identificado, não compreende por que não
consegue acompanhar o ritmo da escola ou dos colegas e se sente-se culpado,
incapaz.

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